Desenvolvida no continente europeu e destinada unicamente ao seu mercado, a FMX 650 representa o novo compromisso comercial da Honda. O conceito está claramente inspirado no estilo SM, no entanto a marca assegura que não tem como objectivo lançar uma supermoto «pura», pelo menos para já. A FMX 650 foi lançada com uma ligeira intenção experimental. Caso esta moto tenha boa aceitação, a marca irá certamente dar asas à imaginação e criar outros produtos dentro desta linhagem. No entanto, a Funmoto segue uma filosofia muito próxima das antecessoras Dominator, SLR e Vigor. Aposta na diferença A Honda procurou criar uma moto ousada, com raça, e destinada a uma classe jovem que pretende distinguir-se das multidões. Por isso, o estilo da FMX teve de ser desenhado de forma inconfundível. Optou-se por linhas afiladas, contornos angulares, cores aguerridas e algum espírito SM à mistura. O farolim traseiro multi-segmentado por LED, a dupla saída de escape e os aros a preto, são alguns dos pormenores que mais se afirmam na estética da Funmoto. Confesso que, no início, tive alguma dificuldade a «interpretar» o guarda-lamas dianteiro (superior), pois recordou-me a «caquética« Suzuki DR Big ou ainda uma daquelas poeirentas «off-roaders» germânicas. No entanto, após ter-me sido indicada a razão para tal formato do guarda-lamas, fiquei a olhá-lo com outros olhos (ler a caixa técnica). Para além da componente estética, a Honda procurou ainda desenvolver uma moto ágil, confortável, fácil de conduzir, e que se adequasse ora ao panorama urbano, ora ao cenário de montanha. Saídos do baú Para reduzir nos custos de produção o construtor teve a brilhante ideia de vasculhar no baú das recordações. Foram então encontradas algumas soluções passíveis de reciclagem. Começamos pelo propulsor que provém da antiga Dominator. Para além da limpeza ao pó, este monocilíndrico refrigerado por ar foi ainda alvo de uma revisão que, segundo o construtor, deixou-o mais fiável que nunca. No quadro a FMX partilha uma geometria muito similar à da Hornet, porque o propósito foi lucrar com a já confirmada agilidade e maneabilidade imposta por este componente. Com dois dos maiores problemas resolvidos, foi bem mais simples para a Honda desenvolver o restante projecto. O arranque eléctrico funciona na perfeição, obrigatório para satisfazer uma clientela que, nos dias de hoje, já não quer ouvir falar em pedais de arranque. A disposição dos comandos foi bem pensada, e destaca-se o sistema de luzes de emergência, vulgarmente conhecido por «quatro piscas>, existente no comutador esquerdo. Pena que os manómetros não acompanhem o estilo da máquina, mas enfim. A posição de condução agrada pela forma natural em como o nosso corpo encaixa na moto, e permite-nos usufruir da incrível agilidade disponível na FMX 650. Suave no comportamento, a Funmoto curva sem tabus, e aceita de bom grado a correcção dos erros de trajectória a meio do percurso. É fácil e divertida na pilotagem, o que a torna numa boa opção para os iniciados. Não deixa de o ser para os mais experientes, no entanto, para essa clientela exigente, a falta de potência pode ser tema de discussão. Não é que o bloco da FMX seja fraco, nada disso. Aliás, até surpreende com uma rápida entrega de potência a baixos e médios regimes, contudo, uma «injecção» de cavalos seria bem aceite, mesmo não fazendo parte dos planos da Honda. A caixa é composta por cinco mudanças que, numa utilização mais desportiva, denotam um estranho escalonamento entre si. Ciclística As suspensões são componentes a destacar na ciclística desta moto. Com um papel preponderante no comportamento geral da FMX 650, a forquilha invertida de 45 mm. faz com que as rodas assumam o contorno do terreno através dos 218 mm de curso que estão disponíveis. Mesmo em pisos degradados, a FMX mantém-se firme porque o monoamortecedor traseiro também tem poder de argumento. Apesar das dimensões do disco dianteiro (296 mm), a travagem é algo esponjosa, e se não fosse a forte prestação do travão traseiro, demoraríamos mais tempo a parar a Funmoto. O que parece ter sido bem travado pela Honda foram os custos. Tanta retenção resultou numa moto que custa apenas 5.799 euros!

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