Taxa de esforço: crédito com responsabilidade
A taxa de esforço é a percentagem do rendimento familiar usada para pagar créditos. Idealmente, não deve ultrapassar 30%, embora os Bancos aceitem até 50%. Se for demasiado elevada, é possível renegociar ou consolidar os créditos.
Calcular a taxa de esforço é fundamental para que o crédito que pediu não se transforme num pesadelo.
No fundo, trata-se de saber quanto pode pagar sem que isso ponha em causa o seu orçamento familiar.
O que é a taxa de esforço?
A expressão taxa de esforço é bastante usada quando se fala de crédito e a própria designação ajuda a entender do que se trata: o esforço financeiro necessário para conseguir cumprir com o pagamento das mensalidades de um crédito.
A taxa de esforço é uma forma de avaliar a capacidade do agregado familiar para pagar os compromissos financeiros assumidos. Quanto maior for, maior a probabilidade de incumprimento.
Como se calcula a taxa de esforço?
Como já vimos, a taxa de esforço é a percentagem do rendimento familiar que se destina ao pagamento de prestações e é bastante simples de calcular.
Basta fazer esta conta: Encargos financeiros mensais / Rendimento x 100
Para calcular de forma correta a taxa de esforço, deve colocar, nos encargos financeiros mensais, o encargo com o empréstimo que vai pedir, mas também com os que já possa ter.
Vamos a um exemplo prático:
Uma família com um rendimento líquido mensal de 2.000€ e prestações de 500€ (crédito habitação) e 250€ (crédito automóvel) tem encargos totais de 750€.
A taxa de esforço será de 37,5% [(500 + 250) / 2000 x 100].
Feita esta conta inicial, há ainda alguns elementos que deve considerar para garantir que o cálculo é o mais realista possível. Na parcela dos rendimentos, deve colocar os rendimentos líquidos do agregado familiar. Não deve omitir despesas nem rendimentos, porque só assim saberá o peso que o empréstimo vai ter no seu orçamento.
Se quiser ter uma ideia ainda mais aproximada, pode recorrer ao portal do Cliente Bancário, gerido pelo Banco de Portugal, onde encontra uma fórmula que considera também fatores como a taxa de juro e a duração do empréstimo. Neste caso, os cálculos são feitos tendo já em conta as subidas na Euribor, usada como taxa de referência no crédito habitação.
Caso escolha taxa variável, indexada à Euribor, não se esqueça que as taxas de juro poderão subir. As Fichas de Informação Normalizada (FIN), entregues pelos Bancos, incluem simulações com aumentos de 1% e 2% nas taxas de juro, permitindo-lhe perceber o impacto de possíveis subidas na prestação. Isto permite-lhe perceber, de forma antecipada, se está preparado para um possível aumento da prestação e tomar decisões mais informadas antes de assumir o crédito.
Todas estas contas permitem ter uma ideia de quanto pode pagar.
Qual a taxa de esforço adequada?
Como em tudo na vida, o esforço tem de ser equilibrado. O pagamento de um empréstimo é como uma maratona, ou seja, tem de ter fôlego para ser constante e não falhar na reta final.
Por isso, assim como na corrida deve escolher uma velocidade média, também nos empréstimos não deve ultrapassar o limite das suas forças. Isto é, a taxa de esforço deve ser média e o orçamento familiar não pode ser apenas para pagar um crédito.
Há que ter em conta que o valor da prestação pode subir ao longo do empréstimo e, mesmo que a mensalidade seja fixa, a sua vida pode não ser assim tão estável.
Assim, e para evitar que os imprevistos lhe tragam momentos mais complicados do ponto de vista financeiro, o ideal seria que a taxa de esforço não ultrapassasse os 30%.
O Banco de Portugal estabeleceu um limite de 50% ao rácio entre o montante das prestações mensais de todos os empréstimos do titular e o seu rendimento líquido.
Estas medidas, designadas como macroprudenciais, dizem também respeito à duração dos empréstimos e têm como objetivo evitar o sobre-endividamento e o incumprimento no pagamento dos empréstimos.
Ou seja, os Bancos podem conceder créditos com uma taxa de esforço de até 50%, e pode mesmo ser ultrapassado (20% dos créditos podem chegar aos 60%).
Além disto, as boas práticas de gestão familiar aconselham a que o montante total de crédito pedido não ultrapasse cerca de 2,5 vezes o rendimento anual bruto do agregado. Esta regra ajuda a manter o nível de endividamento dentro de limites sustentáveis.
Um exemplo prático:
Um casal com um ordenado bruto mensal de 3.000€ tem um rendimento anual de 42.000€. Aplicando a regra das 2,5 vezes, o valor máximo de crédito recomendado seria de cerca de 105.000€.
Esta regra baseia‑se no rendimento bruto anual, ao contrário da taxa de esforço, que utiliza sempre o rendimento líquido mensal. Ambas as métricas são complementares: uma avalia o nível global de endividamento e a outra a capacidade mensal de pagamento.
De qualquer forma, o seu Banco saberá qual a melhor opção para si e encontrará uma forma de garantir que a sua taxa de esforço é a ideal para o seu orçamento familiar.
Como reduzir a taxa de esforço?
Nada é permanente, e uma taxa de esforço que era perfeitamente suportável pode começar a ser mais pesada do que previa.
Caso isto aconteça, o ideal é procurar uma solução e não deixar que este contratempo se transforme num problema maior.
Se a taxa de esforço for demasiado elevada, uma das soluções para reduzir o valor do empréstimo é fazer uma amortização. Caso não seja possível, existe sempre a hipótese de renegociar o empréstimo, aumentando, por exemplo, a duração.
Quando existem vários empréstimos, a solução pode passar pela consolidação de créditos, que consiste na junção de vários créditos, como por exemplo, crédito habitação, crédito automóvel, créditos ao consumo, cartões de crédito e também seguros, num só, ficando a pagar apenas uma mensalidade.
Em qualquer dos casos, o melhor será mesmo analisar a melhor solução com o seu Banco.
Pedir um crédito é uma decisão importante e deve ser feita com toda a informação necessária. Avaliar a taxa de esforço, simular diferentes cenários e conhecer os limites recomendados ajudam a garantir escolhas financeiras mais seguras e sustentáveis.