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Como preparar o orçamento familiar para o regresso às aulas

Resumo

O regresso às aulas traz despesas que podem pesar no orçamento familiar. Saiba como planear compras, organizar despesas e aproveitar as deduções de educação no IRS. Descubra também como usar a mesada para ensinar os mais novos a gerir e poupar dinheiro.

Pai com filha aos ombros a escolher material escolar numa papelaria Pai com filha aos ombros a escolher material escolar numa papelaria
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O regresso às aulas é sempre um momento importante para as famílias e, sem um bom planeamento, pode ser uma fonte de stress. Por isso, reunimos algumas dicas para o ajudar a organizar tudo com antecedência.

Faça um inventário do que já tem

Envolva os seus filhos e reúna todo o material de anos anteriores. Avalie o que pode ser reutilizado: estojos, canetas e lápis, borrachas e material de educação visual, cadernos com folhas por usar, mochilas, termos e lancheiras.

Elabore listas do que precisa de comprar e faça com que os seus filhos participem no processo. Explique-lhes que devem sempre reutilizar materiais: é bom para o orçamento da família e para o planeta.

Faça um levantamento das despesas

Crie uma lista do que ainda precisa, depois de verificar o que já tem.

As despesas com que deve contar são:

  • Livros escolares
  • Material escolar
  • Alimentação
  • Transporte escolar
  • Atividades extracurriculares

Tenha em atenção despesas como propinas e despesas adicionais como mensalidades de ATL (atividades de tempos livres), escolas de línguas, transportes ou explicações.

Use uma folha de cálculo ou recorra a uma app de finanças pessoais para acompanhar os seus gastos. Se ainda não tem uma, sugerimos a área Gerir, na App Millennium.

Planeie as compras e defina o orçamento

Com base nas despesas reais de anos anteriores e na situação financeira da sua família, determine um valor máximo para o orçamento de regresso às aulas.

Planeie por tipo de bem e onde quer comprar. Se precisa de comprar roupa, aproveite os saldos e sites de roupa em segunda mão.

No caso dos manuais escolares, aproveite os exemplares gratuitos através da plataforma Mega. E, além de comprar, pode também vender o que já não precisa.

Não se esqueça de:

  • Definir um valor total: com base no seu rendimento mensal, determine quanto pode gastar sem comprometer as despesas fixas (renda, gás e eletricidade, seguros, transportes, telecomunicações, etc.);
  • Definir os bens essenciais: estabeleça prioridades; se não puder comprar tudo num mês, compre no próximo;
  • Incluir margem para imprevistos: tenha sempre margem para despesas adicionais imprevistas.

Vai deixar de ter muitos aborrecimentos se, de um ano para o outro, começar a preparar o orçamento antecipadamente. Se puder, crie um fundo escolar, poupando mensalmente ao longo do ano para aliviar os encargos em agosto e setembro.

IRS e despesas escolares

Peça sempre faturas com o número de contribuinte do seu filho para as despesas de educação. Quando comprar material escolar num supermercado, peça uma fatura separada para esses artigos, sem incluir outras compras.

Estas despesas são dedutíveis no IRS até ao limite de 800€ por agregado familiar. O limite pode chegar aos 1.100€ quando existem despesas com rendas de estudantes deslocados, desde que cumpridas as condições previstas.

Classifique corretamente as despesas no e-Fatura. Apenas as despesas com IVA reduzido (6% no Continente e 4% nas regiões autónomas), ou isentas de IVA, são contabilizadas.

São consideradas despesas de educação:

  • Ensino;
  • Material escolar;
  • Despesas de alojamento;
  • Despesas de alimentação, relacionadas com a educação.

Consideram-se despesas de educação e formação o pagamento de creches, jardins-de-infância, lactários, escolas, estabelecimentos de ensino e outros serviços de educação, bem como as despesas com manuais e livros escolares.

Ainda sobre os manuais escolares, se puder compre-os na papelaria da escola. Regra geral, a taxa de IVA aplicável é reduzida e, por isso, pode descontar no IRS. Já as despesas com material escolar noutros estabelecimentos (como supermercados) não são considerados como despesas de ensino, porque têm uma taxa de IVA de 23%.

Lembre-se de que as despesas de educação e formação só são dedutíveis quando realizadas em estabelecimentos de ensino integrados no sistema nacional de educação ou reconhecidos pelos ministérios competentes para esse efeito.

No caso de estudantes que frequentem estabelecimentos de ensino situados em território do interior ou nas regiões autónomas, o limite de dedução das despesas de educação e formação aumenta 10 pontos percentuais. Assim, o limite global pode chegar aos 1.000€, quando o aumento resultar destas despesas.

Para ter acesso a esta majoração, os contribuintes devem indicar, no Portal das Finanças, até 15 de fevereiro, os membros do agregado familiar que frequentam estabelecimentos de ensino situados em território do interior ou das regiões autónomas, bem como o valor total das respetivas despesas suportadas.

Relativamente às explicações e aos centros de explicações, esteja atento. Para serem incluídas nas despesas de educação para efeitos de IRS, as lições sobre matérias do ensino escolar ou superior têm de seguir os planos curriculares e os conteúdos programáticos do sistema educativo nacional. As explicações estão isentas de IVA.

A isenção abrange o valor das explicações e outros serviços diretamente relacionados, como mensalidades, aulas isoladas, taxas de inscrição e seguros, desde que estejam exclusivamente relacionados com as explicações sobre matérias do ensino escolar ou superior.

E não se esqueça: pode deduzir também as despesas relacionadas com propinas de universidade e formação profissional.

Planeamento financeiro pós-férias

Setembro é normalmente sinónimo de despesas elevadas: regresso às aulas, seguros anuais, IMI, e muitas vezes renovações de outros contratos, como telecomunicações e outros. Faça uma lista de todas estas despesas e calendarize-as para evitar surpresas.

Se possível, negocie pagamentos fracionados para distribuir o impacto no orçamento.

Por outro lado, reorganize a rotina doméstica: retome gradualmente os hábitos de poupança suspensos durante as férias, como fazer refeições em casa, usar transportes públicos e preferir atividades gratuitas de lazer.

E para não ser surpreendido, defina metas financeiras para o último trimestre do ano, não se esquecendo de se preparar para as despesas de Natal.

Gestão de mesadas

Aproveite o início de um novo ano escolar para ensinar os seus filhos a gerir uma mesada.

A mesada tem como objetivo ensinar crianças e adolescentes a gerir um orçamento, a tomar decisões financeiras e a compreender o valor do dinheiro.

Pode ser semanal ou mensal, mas é importante definir um valor fixo e pagá-lo sempre no mesmo dia. A mesada não deve estar relacionada com recompensas por boas notas ou pela realização de determinadas tarefas em casa.

O valor deve ser ajustado à idade da criança e aumentado gradualmente. Nas crianças mais pequenas, até aos 5 anos, incentive a poupança de moedas num mealheiro, já que é mais fácil visualizarem o crescimento da poupança.

O dinheiro físico torna mais fácil perceber o valor real do dinheiro. Mais tarde, pode evoluir para um método digital, promovendo maior autonomia e responsabilidade na gestão do dinheiro.

Assim, sugerimos:

  • Até aos 5-6 anos: pequenos valores de 1 a 2 euros, em moedas, para terem noção do dinheiro físico;
  • Dos 7 aos 10 anos: entre 5 e 10 euros por semana, em moedas e notas para se aperceberem de outra realidade;
  • Dos 11 aos 14 anos: pode optar por semanada entre os 10 e os 15 euros, ou por mesada entre os 20 e os 30 euros;
  • Acima dos 15 anos: semanal ou mensal, consoante preferir.

Pode ainda criar uma conta-poupança para a criança, onde sejam depositadas quantias mais elevadas oferecidas pelos avós ou pelos padrinhos. Descubra a nossa sugestão para os seus mais novos.

Na infância, uma semanada é normalmente mais fácil de gerir, enquanto na adolescência uma mesada exige maior capacidade de planeamento e pode já incluir despesas como alimentação e transporte. Nesta fase, o valor pode ser disponibilizado através de um cartão pré-pago, controlado pelos pais, ajudando o adolescente a aprender a gerir dinheiro digital.

Aproveite também para ensinar a importância de poupar, definir metas e juntar dinheiro para comprar algo que eles desejem.

A semanada ou mesada pode ser dividida em três: gastar, poupar e doar. Pode recorrer a três mealheiros ou caixas para ajudar a criança a perceber a diferença entre cada objetivo.

  • Gastar: despesas essenciais, como alimentação e transporte, e despesas pessoais, como roupa, cinema ou outras atividades de lazer;
  • Poupar: para atingir objetivos a médio ou longo prazo ou criar uma pequena reserva para imprevistos;
  • Doar: por exemplo, a uma associação de animais ou outra causa que seja importante para a criança.

Acima de tudo, acompanhe os gastos e não os impeça de errar. Depois, podem analisar em conjunto as alternativas e perceber o que poderiam ter feito de forma diferente.

Use exemplos da família: partilhe com os seus filhos algumas das despesas familiares, ensine-os a comparar preços e incentive o consumo consciente. E procure jogos relacionados com estas matérias; as crianças aprendem muito a brincar!

O mais importante é começar cedo e transformar estas pequenas aprendizagens em hábitos que os acompanhem ao longo da vida. Afinal, aprender a gerir dinheiro é também aprender a fazer escolhas e a assumir responsabilidades.

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