Bolsa de valores: o que é e como funciona?
A Bolsa de valores é o mercado onde se compram e vendem instrumentos financeiros, como ações ou ETF. Saiba como funciona, que ativos pode negociar, quais os principais riscos e como são tributados os investimentos em Portugal.
A Bolsa de valores é um mercado organizado onde pode comprar e vender instrumentos financeiros.
Se quer investir as suas poupanças na Bolsa, é importante saber como funciona.
O que é a Bolsa de valores?
A Bolsa de valores é um mercado regulado onde investidores e Empresas se encontram para negociar valores mobiliários, como ações, obrigações e fundos cotados.
Há quem queira comprar e há quem queira vender, quando o preço satisfaz ambas as partes, a operação é concluída.
Atualmente todas as transações acontecem de forma eletrónica, em tempo real, através de plataformas online.
Em Portugal, este mercado é gerido pela Euronext Lisboa e supervisionado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, mais conhecida como CMVM.
Para que serve?
No caso das Empresas, a Bolsa serve para captar o interesse do público de forma a conseguirem financiamento. Quando uma Empresa entra na Bolsa pela primeira vez, faz uma Oferta Pública Inicial (IPO), colocando as suas ações (ou seja, o seu capital social) à venda no mercado.
No caso dos investidores, permite-lhes aplicar as suas poupanças em ativos com potencial de valorização.
A relação entre oferta e procura determina o preço de cada ativo. Se muitos investidores quiserem comprar uma ação, o preço sobe. Se quiserem vender, o preço desce.
O que se negoceia na Bolsa?
Os principais instrumentos financeiros são:
- Ações
- Obrigações
- ETF
- Fundos de investimento
- Derivados (futuros, opções)
Acompanhar a Bolsa em tempo real exige tempo e dedicação. A App MTrader facilita a tarefa dos investidores, ao permitir acompanhar as cotações ou conhecer as melhores ordens de compra e venda.
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Ações
Uma ação é um título que representa uma fração do capital social de uma Empresa, constituída sob a forma de uma sociedade anónima. Ao comprar uma ação, torna-se acionista da Empresa, ou seja, proprietário de uma fração do seu capital. Pode ter retorno de duas formas:
- Mais-valias: através da valorização do preço da ação
- Dividendos: distribuição de lucros pela empresa
As ações têm risco, uma vez que o preço tanto pode descer como subir, e não existe capital garantido.
Obrigações
As obrigações representam um empréstimo que o investidor faz a uma Empresa ou a um Estado. Em troca, recebe juros periódicos (o cupão) e, no final do prazo, recupera o capital investido.
São instrumentos de menor risco do que as ações, mas com rendimento potencial também mais limitado.
ETF
Os Exchange Traded Fund (ETF) são fundos de investimento abertos, negociados numa Bolsa de valores e têm como principal objetivo ter uma performance relacionada com o comportamento de um determinado indicador de referência (que pode ser um índice, um segmento de mercado, um ativo, um instrumento financeiro, uma estratégia de investimento).
Assim, podem seguir índices, como o SP 500 ou o NASDAQ-100, matérias-primas como o ouro, setores como a energia ou geografias como a China, EUA, entre outros.
A sociedade gestora de um ETF copia a evolução de um determinado índice bolsista; ou seja, a cotação do ETF reflete o valor do índice subjacente.
A compra e venda de ETF implica o pagamento de comissões de transação e de guarda de títulos semelhantes às ações.
Os ETF são qualificados consoante o indicador de referência que seguem. Assim, podem seguir:
- Ações
- Índices cotados
- Obrigações
- Matérias-primas
- Setores
- Moedas
- Geografias
Derivados
Os instrumentos derivados, como futuros, opções e CFD, do inglês Contracts for Difference, têm um valor que depende de outro ativo, como uma ação, uma taxa de juro ou uma matéria-prima.
São produtos complexos, com risco elevado, recomendados apenas a investidores experientes.
Como funciona a Bolsa?
Cada transação na Bolsa começa com uma ordem que o investidor dá ao seu intermediário financeiro (Banco, corretora ou plataforma digital). As ordens mais comuns são:
- Ordem de mercado: a compra ou venda é feita ao melhor preço disponível no momento
- Ordem limitada: o investidor define o preço máximo que está disposto a pagar (na compra) ou o preço mínimo que aceita receber (na venda). A ordem só é executada se o mercado atingir esse valor
- Ordem à abertura ou ao fecho: é executada nos leilões de abertura ou fecho da sessão
O mercado funciona em sessões de negociação. Na Euronext Lisboa, a sessão principal acontece entre as 08h00 e as 16h30 (horário de Lisboa).
O principal indicador da Bolsa portuguesa é o PSI-20 (Portuguese Stock Index), que agrega as ações das empresas mais negociadas e com maior capitalização cotadas na Euronext Lisboa.
Quando vê nos noticiários que a Bolsa portuguesa subiu ou desceu, isso significa, geralmente, que o principal índice da Bolsa em Portugal, o PSI, registou uma valorização ou uma desvalorização.
Investir na Bolsa é arriscado?
Investir na Bolsa implica sempre risco. Se o quiser fazer, esteja consciente de que o valor investido não tem capital garantido. Ou seja, ao contrário dos depósitos bancários, o valor investido pode diminuir e pode até perder tudo o que investiu.
Se quiser vender ativos menos negociados, pode ser difícil vender rapidamente ao preço desejado. Há ainda o risco cambial a considerar: quando se investe em ativos denominados noutra moeda, as variações do câmbio afetam o retorno.
Para minimizar estes riscos, deve diversificar o portfólio entre diferentes ativos, setores e geografias, definir um horizonte temporal, preferencialmente de médio/longo prazo, e construir previamente um fundo de emergência. Para saber mais sobre reservas de emergência e se manter informado, leia o nosso artigo sobre o tema.
Como declarar ganhos em Bolsa no IRS?
Em Portugal, os ganhos obtidos na Bolsa estão sujeitos a imposto. No caso de ações e ETF, a tributação pode incidir sobre mais-valias e sobre dividendos.
As mais-valias correspondem ao lucro obtido com a venda de ações ou ETF, ou seja, à diferença positiva entre o valor de venda e o valor de compra. Regra geral, são tributadas à taxa autónoma de 28%.
No entanto, para incentivar o investimento de longo prazo, pode aplicar-se uma redução da tributação sobre mais-valias, consoante o período durante o qual o investimento foi mantido:
- Se o ativo for detido por mais de 2 anos e menos de 5 anos, apenas 90% da mais-valia é tributada, o que corresponde a uma taxa efetiva de 25,2%
- Se o ativo for detido por 5 anos e menos de 8 anos, apenas 80% da mais-valia é tributada, o que corresponde a uma taxa efetiva de 22,4%
- Se o ativo for detido por 8 anos ou mais, apenas 70% da mais-valia é tributada, o que corresponde a uma taxa efetiva de 19,6%
Esta redução aplica-se às mais-valias, não aos dividendos.
Os dividendos de ações e as distribuições de rendimentos de ETF estão, regra geral, sujeitos a tributação à taxa de 28%. Quando os rendimentos têm origem no estrangeiro, pode existir retenção na fonte no país de origem, sendo possível, em alguns casos, evitar ou reduzir a dupla tributação através dos mecanismos previstos na declaração de IRS.
No caso dos ETF acumulativos, os rendimentos são reinvestidos automaticamente e não há distribuição periódica ao investidor. Assim, a tributação ocorre, em regra, apenas no momento da venda, caso exista mais-valia. Já nos ETF distributivos, os rendimentos distribuídos são tributados como dividendos.
A declaração destes rendimentos depende da origem dos ativos e da corretora utilizada. De forma geral, os rendimentos obtidos através de entidades nacionais podem ser declarados no Anexo G, enquanto rendimentos obtidos no estrangeiro, incluindo através de corretoras internacionais, podem ter de ser declarados no Anexo J.