Certificados de Aforro e do Tesouro: como funcionam?
Os Certificados de Aforro e do Tesouro permitem poupar com capital garantido pelo Estado português. Conheça as principais diferenças entre os 2 produtos, desde as taxas e prazos à liquidez e capitalização dos juros. Veja como funcionam e quais as características de cada opção.
Os Certificados de Aforro e os Certificados do Tesouro são formas de emprestar dinheiro ao Estado, em troca de juros, e funcionam como instrumentos de poupança para as famílias.
São ambas opções de poupança conservadora com capital garantido, mas respondem a necessidades diferentes. Os Certificados de Aforro oferecem flexibilidade, com juros pagos e capitalizados de 3 em 3 meses. Os Certificados do Tesouro Série 5 privilegiam uma taxa fixa garantida à partida, com juros pagos anualmente durante 10 anos.
Quando valem a pena?
Escolha os Certificados de Aforro se:
- Quer flexibilidade e precisa do dinheiro a curto prazo;
- A Euribor se mantiver elevada ou subir (pois a taxa é calculada de acordo com esta taxa);
- Quer fazer o seu fundo de emergência com pequenos reforços ao longo do tempo.
Por outro lado, escolha os Certificados do Tesouro se:
- Valoriza previsibilidade, uma vez que sabe exatamente quanto vai receber em cada ano;
- Prefere receber juros anuais em vez de capitalizar.
Porque vale a pena subscrever agora?
Depois de 2 anos em queda, as taxas de juro voltaram a subir na zona euro. O Banco Central Europeu aumentou as taxas diretoras em junho de 2026 (a primeira subida desde 2023) e voltou a fazê-lo em setembro, já este ano.
Esta mudança de ciclo tem uma razão concreta: a inflação voltou a acelerar, pressionada pelo aumento dos preços da energia e do petróleo. Esta subida tem um impacto direto na poupança. A taxa dos Certificados de Aforro está indexada à Euribor a 3 meses, o que significa que acompanha de perto as decisões do BCE. Nos últimos meses, essa indexação tem-se traduzido em subidas consecutivas da remuneração, uma tendência que contrasta com o período anterior, em que as taxas vinham a descer.
Se procura uma opção de poupança conservadora, com capital garantido e sem custos associados, este ciclo de subida das taxas de juro torna os Certificados de Aforro particularmente atrativos neste momento. E porque a remuneração é revista trimestralmente, quem subscrever agora começa desde já a aproveitar qualquer nova subida, sem ficar preso a uma taxa antiga.
Quais são as diferenças entre os Certificados?
(500.000€ acumulado com a Série E)
(500.000€ acumulado com a Série E)
Depois de decidir qual prefere, tem de abrir uma Conta Aforro gratuita nos CTT. Depois, use o simulador oficial do IGCP e simule várias hipóteses.
E não se esqueça, diversifique: estes produtos são excelentes para a parte segura da sua carteira de investimentos, por exemplo, para investir 20% a 40% da poupança de médio prazo. Lembre-se também que, apesar destes produtos serem tributados a 28%, se a sua taxa de IRS for inferior, o englobamento pode ser vantajoso.
Acompanhe a Euribor e as comunicações do IGCP, uma vez que as condições podem mudar para novas subscrições.
Características dos Certificados
Certificados de Aforro Série F
Os Certificados de Aforro só podem ser emitidos para particulares e só se transmitem por falecimento do titular.
Pode subscrevê-los:
- Nos CTT - Correios de Portugal;
- Nos Espaços do Cidadão;
- Através do site AforroNet. É um serviço disponibilizado pelo IGCP aos seus Clientes para fazerem pedidos de subscrição, consultas e resgates de produtos de Aforro.
Em setembro de 2026, a taxa de juro bruta para novas subscrições, Série F, foi fixada em 2,500%.
- Valor nominal de 1€;
- Montante mínimo inicial de 100€, reforços de 10€;
- Montante máximo de 250.000€ por conta aforro (quando acumulado com certificados da Série E por conta aforro: 500 000€);
- Prazo de 15 anos;
- Juros vencem de 3 em 3 meses e são capitalizados automaticamente (já líquidos de IRS). No trimestre seguinte, os novos juros vão incidir sobre o capital inicial, mais os juros ganhos anteriormente. Ou seja, o capital cresce com juros compostos. A taxa base não poderá ser superior a 2,50% nem inferior a 0%;
- Prémio de permanência: estes prémios acrescem à taxa base, a partir do 2.º ano:
- 0,25% -2.º ao 5.º ano
- 0,50% - 6.º ao 9.º ano
- 1,00 % - 10.º e 11.º ano
- 1,50 % - 12.º e 13.º ano
- 1,75% - 14.º e 15.º ano
- Capitalização automática dos juros vencidos (líquido de IRS);
- Reembolso de capital e juros capitalizados, no 15.º aniversário da data da subscrição. No caso de esse dia não existir no mês de vencimento, o crédito terá lugar no 1.º dia do mês seguinte. Caso o reembolso aconteça num dia não útil, o crédito é feito no dia útil seguinte. O valor de reembolso é creditado no IBAN associado à conta aberta no IGCP, E. P. E;
- Resgate antecipado após 3 meses, a qualquer momento (parcial ou total). Se resgatar entre datas de vencimento de juros, perde os juros do período em curso;
- Só podem ser titulares pessoas singulares e não é possível indicar outro movimentador. Cada pessoa singular só pode ser titular de uma conta aforro e a cada conta aforro estará associado um IBAN;
- Garantia de capital na totalidade;
- Impostos: retenção na fonte de 28% de IRS (taxa liberatória), mas se for vantajoso pode escolher o englobamento e ter acesso a uma taxa mais baixa.
Certificados do Tesouro Série 5
São instrumentos de dívida pública destinados à poupança das famílias e oferecem uma taxa de juro fixa garantida. A sua subscrição teve início a 6 de julho de 2026.
- Prazo de 10 anos;
- Montante mínimo de 1000€;
- Montante máximo de 1,000.000 € por titular;
- Taxa de juro fixa e garantida no momento da subscrição:
- 1.º ano: 2,35%
- 2.º e 3.º anos: 2,45%
- 4.º e 5.º anos: 2,65%
- 6.º e 7.º anos: 2,75%
- 8.º e 9.º anos: 2,85%
- 10.º ano: 3,35%
- Os juros são pagos anualmente (já líquidos de IRS) para o IBAN associado. Não há capitalização;
- Resgate após 1 ano. Depois do primeiro ano, é possível resgatar a qualquer momento, mas com a perda dos juros desde o último pagamento anual. O capital é sempre reembolsado a 100%;
- Impostos: retenção na fonte de 28% de IRS, mas se for vantajoso pode escolher o englobamento e ter acesso a uma taxa mais baixa.
A subscrição pode ser feita diretamente no AforroNet, nos balcões dos CTT, ou nos Espaços Cidadão.